quarta-feira, 17 de janeiro de 2018

Fim do ano na Quinta da Cerca

Grupo de jovens associados e seus amigos que festejaram a passagem do ano na Quinta da Cerca:


segunda-feira, 15 de janeiro de 2018

Recordações 5

Fotos de Victória e Cândido Azevedo Mendes com alguns dos seus netos.
Tiradas em 1959 no dia que fizeram 40 anos de casados



quinta-feira, 11 de janeiro de 2018

Recordações 4



Recordações de Lume                     ( 1 / 1 / 87 )

            Guiava pela noite dentro. O nevoeiro descia, adensava-se lentamente e com ele vinham uma mistura de cheiros campestres e aldeões que acordavam recônditas zonas das memórias da minha infância. Aí permaneciam intactos registos dos perfumes dos fornos de lenha, lareiras, braseiras e fumeiros. Tempos em que o fogo não era um luxo decorativo e dispensável, mas que fazia parte da vida quotidiana desde o acender do fogão a lenha, de madrugada, até ao serão à lareira, passando pelas brasas nos ferros de engomar e nas redondas braseiras.    

            Essa era uma idade do fogo companheiro e das labaredas despoletando fabulosos enredos nas teias da imaginação. Idade já moribunda  quando eu a experimentei na minha infância e que agora se tornava fisicamente presente pelos cheiros que inalava viajando aldeia após aldeia, Ribatejo acima. Rolava, deixando a cidade para trás a aproximando-me do pequeno mundo onde vivi a minha infância triste e solitária, mas apesar de tudo cheia de recordações.

terça-feira, 9 de janeiro de 2018

Recordações 3


SOUDOS REVISITADO    I   -   Agosto de 1983


             No fim-de-semana passado fomos dormir aos Soudos. Levámos pela primeira vez o André para a bisavó Vitória o conhecer.
            Pisei de novo as pedras do páteo da minha infância, passeei no jardim, agora decrépito e sem jardineiros que o cuidem. Recordei com saudade a velha figueira desaparecida bem como o laguinho do cágado destruído. Aquele jardim é inseparável da minha meninice apesar da clausura em que muitas vezes me encerrou nos seus muros que impediam o contacto com os “cachopos” da minha idade. Visitei a capoeira outrora repleta de criação e coelhos e agora reconvertida em curral de ovinos. Entrei no palheiro onde coabitaram garbosos animais de tiro e cela, hoje reduzidos a uma pachorrenta mula. Subi a encosta até à eira e recordei as medas de trigo por ceifar e a debulhadora a trabalhar no pino de Verão envolta em poeira. Desci ao passadouro que se preparava para mais uma campanha de figo (actividade quase em extinção)  e recordei o cheiro característico dos figos a caminho de passas e as abelhas a zumbirem por cima dos tabuleiros, recordei ainda as recolhas apressadas dos mesmos tabuleiros em pilhas quando vinham as indesejadas chuvas de Verão. Fui à adega, agora imprestável, recordar a chegada dos pesados e lentos carros de bois carregados de dornas repletas de uvas e o ruído característico de desengaçador a separar os bagos que iam enchendo a cuba de fermentação. Por fim, fui ao lagar recordar a campanha do azeite e a chegada dos pequenos frutos pretos e reluzentes apanhados de “empreitada” ou “à jorna” nos olivais do meu Avô por ranchos de gente misérrima vindos lá dos lados de Pombal.

            O lagar fez-me lembrar o Inverno, a lama nos campos e no jardim e o vento que uivava na janela da casa de passar a ferro. Como era triste aquela minha infância, apesar de toda a azáfama agrícola circundante, e como deixou marcas irreparáveis de solidão!  No entanto tinha de lá voltar porque lá estava a Avó curvada pelos noventa anos, mas resistindo surpreendentemente ao tempo.          

segunda-feira, 8 de janeiro de 2018

Recordações 2

SOUDOS   -   Recordações dos seus ofícios artesanais
                                              ( Escrito em Abril de 1999)


            É uma aldeia do interior ribatejano, bastante mais perto do mar do que da raia espanhola. Mas entre o mar e a aldeia eleva-se a Serra d’Aire pequena, mas barreira bastante para muitas das humidades atlânticas. Assim o clima é seco com Invernos frios e Verões com calores de rachar. Os poços dão para regar umas pequenas hortas e pomares. Para beber, a maioria das casas tinham as suas cisternas que recolhiam dos telhados as águas das poucas chuvas. É uma espécie de Algarve sem mar com figueiras e amendoeiras mas também com muitas oliveiras e algumas cerejeiras.
            A energia eléctrica pública chegou já eu era menino espigado e a água canalizada pública só uns trinta anos depois. Instalaram recentemente uma central de bombagem ao lado do cemitério que puxa água do Castelo do Bode e a distribui pelas aldeias da região. Mas a chegada destas infra-estruturas do chamado progresso não foram suficientes para reanimar a economia rural em franca recessão.
            Os múltiplos ofícios artesanais que animavam económica e socialmente a aldeia foram fechando uns atrás dos outros por falta de clientes ou por velhice e incapacidade dos seus donos. Assim, a pequena comunidade rural quase auto-suficiente transformou-se num incaracterístico dormitório de gentes que trabalham nas vilas e cidades mais póximas. 

-          Lembro o funileiro que soldava a lata e que fabricava e reparava múltiplos utensílios ( em Tomar ainda se mantem esta actividade tradicional que continua a ter saída mas mais como artesanato turístico);
-          Lembro o ferrador que punha as ferraduras em brasa na sua forja a carvão e depois as cravava nos cascos das cavalgaduras que para o efeito eram imobilizadas numas giolas de madeira e obrigadas a levantar à vez cada uma das patas;
-          Lembro a oficina metalúrgica onde se reparavam as alfaias agrícolas e se fabricavam noras de elevação de água movidas pela força de obedientes mulas ou problemáticos gericos;
-          Lembro ainda uma oficina de tanoeiro onde já labutavam vários artífices e que fabricava barris que eram expedidos para as diversas regiões do país produtoras de vinho;
-          Lembro também as várias destilarias que fabricavam aguardente a partir do figo seco da região e as diversas adegas que iam produzindo vinho para consumo próprio ou para as tabernas das redondezas;
-          Lembro o lagar de azeite construído pelo meu Avô onde havia um luxo dum gerador eléctrico que nos alumiava nas noites de Inverno ( só no final da década de 50 é que as velas e candeeiros ficaram sem préstimo com a chegada da iluminação pública a que já fiz referência);
-          Lembro um improvisado matadouro de suínos que todas as semanas nos brindava com altas berrarias dos bichos antes de serem esfaquiados;
-          Lembro por (e muitas outras coisas ficarão por lembrar) o quotidiano trabalho do padeiro local com o seu forno a lenha que exalava pela aldeia um gostoso cheiro a pão acabado de cozer.


(acrescento de Abril de 2004)

Não quero com estas recordações esquecer a vida dura e miserável que levavam a maioria das gentes que não tinham outros recursos para além dos seus braços e que trabalhavam de Sol a Sol nas fazendas, oficinas, adegas, destilarias e lagares, quando era tempo disso, dos proprietários agrícolas da terra.

Não quero esquecer a praga do alcoolismo que corroía a incipiente vida social que se gerava à volta das tabernas.

Não quero também esquecer o frio que se rapava no Inverno, o calor que se suava no Verão e a fome que às vezes batia à porta dos desafortunados pela doença e pela desorientação da bebedeira                                            


sexta-feira, 5 de janeiro de 2018

Recordações

Volto a publicar um pequeno texto de memórias (já escrito há mais de 20 anos) bem como a foto de MariJoana que foi ama de leite de meus tios e que depois ficou em casa de meus avós ate´falecer.


                        3. MariJoana e as Lembranças da Variada
                             e Quase Auto-Suficente Actividade da
                           Casa Agrícola dos Meus Avós Maternos
           
           

            MariJoana descia de madrugada do sobrado onde criou o seu lúgubre e misterioso refúgio. Acordava a restante criadagem para mais um dia de labuta que incluía o reavivar das chamas do fogão a lenha, os despejos das cinzas e outros lixos, a recolha de brasas para colocar nos ferros de engomar e nas braseiras, a ida à capoeira para tratar da criação, a recolha na horta de alguma hortaliça e de fruta no pomar.
            Vivi ainda dentro duma economia agrícola quase auto-suficiente com hortas, pomares, capoeira, pocilgas, curral de ovinos, estábulo de animais de tiro e cela, adega, lagar de azeite, destilaria de aguardente de figos, eira para debulha de cereais e forno de cozer pão. A estrutura produtiva agrícola mantinha-se quase intacta havia gerações. Só o velho moinho de vento, no cabeço sobranceiro ao cemitério tinha desaparecido enquanto elemento activo duma intrincada e bem urdida cadeia de produção. Só lhe restavam as paredes em ruína que eu escalava em tardes solitárias, para contemplar, lentos, suaves e envolventes Pôr-do-Sol por detrás da Serra d’Aire.
            Todo esse mundo ordenado entre senhores da terra e servos seus servidores, tão parecido com o que reinou durante séculos por toda a Europa agrária, ainda permanecia quase intacto, conservado por um estilo de governação e por uma ideologia que preferia a continuidade à mudança.
            Estávamos na fronteira entre o minifúndio do Norte e o latifúndio do Sul. Vi chegar o 1º tractor. Antes dele, e também antes de eu vir ao mundo chegara o vetusto locomóvel a vapor que accionava por correias a debulhadora de cereais e chegaram também os primeiros automóveis que iam convivendo com os veículos de tracção animal. A propósito destes, lembro aquelas tardes de Domingo em que saíamos de “breque” puxado por uma parelha de mulas e o cocheiro nos levava pela estrada ainda de “maquedame” até à aldeia da minha bisavó materna (Argea).

                                                                                         (Lisboa, Março de 1996)





sexta-feira, 29 de dezembro de 2017

Soudos Setembro de 1970

Foto de grupo tirada no páteo .
Da direita para a esquerda: Tio Xico (Eng. Francisco Antunes) João Beires, Tio Manel (Manuel Sirgado Azevedo Mendes), Avó Victória (Victória Sirgado Azevedo Mendes). Tia Inês (Maria Inês Martins Barata Azevedo Mendes), Tia Dida (Maria Cândida Sirgado Antunes Mourão), Tia Bugia (Maria de Jesus Sirgado Azevedo Mendes Beires), Tia Luizinha (Maria Luisa Freitas Ribeiro Azevedo Mendes: