Foto possivelmente datada de 1927 com os dois manos mais velhos dos Azevedo Mendes dos Soudos: Maria Teresa e José Cândido. Ambos com velas na mão e vestido de branco. Possivelmente no dia da 1ª Comunhão de Teresa ou da ambos.
sábado, 11 de julho de 2026
sábado, 4 de julho de 2026
Foto do Verão de 1927 ou 1928 enviada por Cândido Azevedo Mendes para o seu cunhado Eng. Francisco Antunes
Apesar do ambiente rural, é bem provável que esta foto tenha sido tirada num quintal duma casa alugada na Figueira da Foz. Nela podemos ver três dos filhos de Cândido e Victória: Teresa, Manuel e João. A foto está escrita no verso por Cândido. Trata-se de mais uma foto inédita, pertencente ao espólio do Eng. Francisco Antunes, o qual está a ser organizado pelo seu neto Eng. João Mourão
Tanscrição do texto no verso da foto: Meu caro FranciscoNão sei se estarás ahí, contudo as minhas notícias para ahí
vão e à Maria também as dirigo. Começo por felicitá-lo pelo corte de …. Ficou
bem? Estou ansioso por ver os efeitos. Aqui estou desde segunda feira com os
pequenos que felizmente estão benzinho ainda tem alguma tosse mas quase nada,
se Deus quiser em breves dias estarão completamente bons.
A Victoria coitada ainda está nos Soudos e d’ela só tive
notícias ainda uma só vez, por um postal, não sei pois se a Maria Cândida e
Fernando estão melhores. Vae um retrato dos pequenos tirei vários e breve mando
outros
Muitos beijos de todos nós Candido
sexta-feira, 3 de julho de 2026
Castanheiro bravo
Assim se apresenta frondoso este icone (centenário ou quase) no jardim de dona Victorinha na Quinta da Cerca nos Soudos
segunda-feira, 29 de junho de 2026
Mari Joana
Mari Joana e as lembranças da variada e quase Auto-Suficente actividade da Casa Agrícola dos Meus Avós Maternos
Vivi
ainda dentro duma economia agrícola quase auto-suficiente com hortas, pomares,
capoeira, pocilgas, curral de ovinos, estábulo de animais de tiro e cela,
adega, lagar de azeite, destilaria de aguardente de figos, eira para debulha de
cereais e forno de cozer pão. A estrutura produtiva agrícola mantinha-se quase
intacta havia gerações. Só o velho moinho de vento, no cabeço sobranceiro ao
cemitério tinha desaparecido enquanto elemento activo duma intrincada e bem
urdida cadeia de produção. Só lhe restavam as paredes em ruína que eu escalava
em tardes solitárias, para contemplar, lentos, suaves e envolventes Pôr-do-Sol
por detrás da Serra d’Aire.
Todo
esse mundo ordenado entre senhores da terra e servos seus servidores, tão
parecido com o que reinou durante séculos por toda a Europa agrária, ainda
permanecia quase intacto, conservado por um estilo de governação e por uma
ideologia que preferia a continuidade à mudança.
Estávamos
na fronteira entre o minifúndio do Norte e o latifúndio do Sul. Vi chegar o 1º
tractor. Antes dele, e também antes de eu vir ao mundo chegara o vetusto
locomóvel a vapor que accionava por correias a debulhadora de cereais e
chegaram também os primeiros automóveis que iam convivendo com os veículos de
tracção animal. A propósito destes, lembro aquelas tardes de Domingo em que
saíamos de “breque” puxado por uma parelha de cavalos ou mulas e o cocheiro nos
levava pela estrada ainda de “maquedame” até à aldeia da minha bisavó materna
(Argea).
sexta-feira, 26 de junho de 2026
Texto sobre "Recordações Equestres"
RECORDAÇÕES EQUESTRES Lisboa, 16/08/2000
Não foi gostosa a aprendizagem da arte
equestre nem fui longe nas lides com cavalos. Poucas foram as quedas mesmo
naquelas primeiras experiências de montar sòzinho quando ainda não tinha
comprimento de pernas para chegar aos estribos. Lembro um episódio caricato
ocorrido numa das muitas saídas matinais acompanhando meu tio Manuel para uma
vistoria a um rancho ocupado na apanha do figo. Montava um dócil animal, mas
mesmo assim ainda o conduzia inseguro e não consegui evitar que ele se enfiasse
debaixo de uma figueira. Passou com a garupa rente a um grosso ramo onde eu
fiquei abraçado e pendurado para irritação do meu tio que me viu sujeito à
humilhação duma risada geral do pessoal do rancho. Mas na adolescência quando
ganhei algum domínio e à vontade com estes animais pude fruir inesquecíveis
cavalgadas solitárias por recônditas veredas campestres; incursões até aos
contrafortes da Serra d’Aire a Poente e, no sentido contrário, até ao vale do
Rio Nabão a Nascente.
Algumas vezes me aventurei até Tomar
utilizando caminhos secundários que encurtavam bastante a distância. Deixava o
animal num estábulo à entrada da cidade e percorria a pé as ruas tratando de
pequenas incumbências.
O Avô que fizera vezes sem conto esta viagem
a cavalo na sua juventude quase me ralhou quando eu lhe contei que deixava o
animal às portas da cidade em vez de aproveitar para me pavonear pelas ruas
cavalgando a preceito. Esquecia-se que desde o seu tempo de menino e moço até
ao meu, passara mais de meio século e então já não era prático nem seguro
circular a cavalo na cidade. Estou a falar do início da década de sessenta,
altura em que a circulação automóvel ainda não era caótica como hoje. Passear a
cavalo no meio da cidade já não era comum, embora ainda houvesse muita carroça
e alguns asnos e mulas a circular, mas o que entristecia o meu Avô era o facto
de eu não ter nascido com vocação de marialva e de não tirar partido de tão
belas oportunidades para dar nas vistas às meninas da cidade.
