segunda-feira, 29 de junho de 2026

foto de Mari Joana com Bugia à entrada da "casa dos moços"


 



Mari Joana

 

                              Mari Joana e as lembranças da variada e quase Auto-Suficente actividade                                       da Casa Agrícola dos Meus Avós Maternos

           

            MariJoana descia de madrugada do sobrado onde criou o seu lúgubre e misterioso refúgio. Acordava a restante criadagem para mais um dia de labuta que incluía o reavivar das chamas do fogão a lenha, os despejos das cinzas e outros lixos, a recolha de brasas para colocar nos ferros de engomar e nas braseiras, a ida à capoeira para tratar da criação, a recolha na horta de alguma hortaliça e de fruta no pomar.

            Vivi ainda dentro duma economia agrícola quase auto-suficiente com hortas, pomares, capoeira, pocilgas, curral de ovinos, estábulo de animais de tiro e cela, adega, lagar de azeite, destilaria de aguardente de figos, eira para debulha de cereais e forno de cozer pão. A estrutura produtiva agrícola mantinha-se quase intacta havia gerações. Só o velho moinho de vento, no cabeço sobranceiro ao cemitério tinha desaparecido enquanto elemento activo duma intrincada e bem urdida cadeia de produção. Só lhe restavam as paredes em ruína que eu escalava em tardes solitárias, para contemplar, lentos, suaves e envolventes Pôr-do-Sol por detrás da Serra d’Aire.

            Todo esse mundo ordenado entre senhores da terra e servos seus servidores, tão parecido com o que reinou durante séculos por toda a Europa agrária, ainda permanecia quase intacto, conservado por um estilo de governação e por uma ideologia que preferia a continuidade à mudança.

            Estávamos na fronteira entre o minifúndio do Norte e o latifúndio do Sul. Vi chegar o 1º tractor. Antes dele, e também antes de eu vir ao mundo chegara o vetusto locomóvel a vapor que accionava por correias a debulhadora de cereais e chegaram também os primeiros automóveis que iam convivendo com os veículos de tracção animal. A propósito destes, lembro aquelas tardes de Domingo em que saíamos de “breque” puxado por uma parelha de cavalos ou mulas e o cocheiro nos levava pela estrada ainda de “maquedame” até à aldeia da minha bisavó materna (Argea).

  (Lisboa, Março de 1996)

sexta-feira, 26 de junho de 2026

Texto sobre "Recordações Equestres"

 

              RECORDAÇÕES  EQUESTRES                         Lisboa, 16/08/2000

  Mal sabia andar já me levavam à garupa dos seus altaneiros cavalos.  Entalado entre a sela e o pescoço do animal, fustigado pelas crinas e atacado pelo mosquedo, aguentava a provação no meio de muitos incitamentos.

                              

   Não foi gostosa a aprendizagem da arte equestre nem fui longe nas lides com cavalos. Poucas foram as quedas mesmo naquelas primeiras experiências de montar sòzinho quando ainda não tinha comprimento de pernas para chegar aos estribos. Lembro um episódio caricato ocorrido numa das muitas saídas matinais acompanhando meu tio Manuel para uma vistoria a um rancho ocupado na apanha do figo. Montava um dócil animal, mas mesmo assim ainda o conduzia inseguro e não consegui evitar que ele se enfiasse debaixo de uma figueira. Passou com a garupa rente a um grosso ramo onde eu fiquei abraçado e pendurado para irritação do meu tio que me viu sujeito à humilhação duma risada geral do pessoal do rancho. Mas na adolescência quando ganhei algum domínio e à vontade com estes animais pude fruir inesquecíveis cavalgadas solitárias por recônditas veredas campestres; incursões até aos contrafortes da Serra d’Aire a Poente e, no sentido contrário, até ao vale do Rio Nabão a Nascente.

   Algumas vezes me aventurei até Tomar utilizando caminhos secundários que encurtavam bastante a distância. Deixava o animal num estábulo à entrada da cidade e percorria a pé as ruas tratando de pequenas incumbências.

   O Avô que fizera vezes sem conto esta viagem a cavalo na sua juventude quase me ralhou quando eu lhe contei que deixava o animal às portas da cidade em vez de aproveitar para me pavonear pelas ruas cavalgando a preceito. Esquecia-se que desde o seu tempo de menino e moço até ao meu, passara mais de meio século e então já não era prático nem seguro circular a cavalo na cidade. Estou a falar do início da década de sessenta, altura em que a circulação automóvel ainda não era caótica como hoje. Passear a cavalo no meio da cidade já não era comum, embora ainda houvesse muita carroça e alguns asnos e mulas a circular, mas o que entristecia o meu Avô era o facto de eu não ter nascido com vocação de marialva e de não tirar partido de tão belas oportunidades para dar nas vistas às meninas da cidade.

 

 

quinta-feira, 25 de junho de 2026

quarta-feira, 24 de junho de 2026

Procissão em Árgea 1956

 Com a imagem de Nossa Senhora de Fátima à frente. Em 2º plano a casa de José Antunes Sirgado e Teodora


terça-feira, 23 de junho de 2026

Foto talvez de 1922 - a tradição das abóboras servirem de assento para tirar fotos aos meninos

 Esta foto com os filhos de Virgínia e Manuel Maia e ainda com a filha mais velha de Victória e Cândido, tem os nomes no verso e é dedicada a um tio (neste caso julgo que o tio será o Eng. Francisco Antunes, pois a foto faz parte do seu espólio que está a ser catalogado pelo Eng. João Mourão). A dedicatória é de 1925 mas a foto tem de ser de data anterior



domingo, 21 de junho de 2026

Teodora com dois dos seus genros - Cândido e Manuel Maia

 Foto tirada em 1948. É bem provável que o fotógrafo tenha sido o 3º genro de Teodora, Eng. Francisco Antunes.

Esta foto também faz parte do espólio do Eng. Francisco Antunes