sexta-feira, 26 de junho de 2026

Texto sobre "Recordações Equestres"

 

              RECORDAÇÕES  EQUESTRES                         Lisboa, 16/08/2000

  Mal sabia andar já me levavam à garupa dos seus altaneiros cavalos.  Entalado entre a sela e o pescoço do animal, fustigado pelas crinas e atacado pelo mosquedo, aguentava a provação no meio de muitos incitamentos.

                              

   Não foi gostosa a aprendizagem da arte equestre nem fui longe nas lides com cavalos. Poucas foram as quedas mesmo naquelas primeiras experiências de montar sòzinho quando ainda não tinha comprimento de pernas para chegar aos estribos. Lembro um episódio caricato ocorrido numa das muitas saídas matinais acompanhando meu tio Manuel para uma vistoria a um rancho ocupado na apanha do figo. Montava um dócil animal, mas mesmo assim ainda o conduzia inseguro e não consegui evitar que ele se enfiasse debaixo de uma figueira. Passou com a garupa rente a um grosso ramo onde eu fiquei abraçado e pendurado para irritação do meu tio que me viu sujeito à humilhação duma risada geral do pessoal do rancho. Mas na adolescência quando ganhei algum domínio e à vontade com estes animais pude fruir inesquecíveis cavalgadas solitárias por recônditas veredas campestres; incursões até aos contrafortes da Serra d’Aire a Poente e, no sentido contrário, até ao vale do Rio Nabão a Nascente.

   Algumas vezes me aventurei até Tomar utilizando caminhos secundários que encurtavam bastante a distância. Deixava o animal num estábulo à entrada da cidade e percorria a pé as ruas tratando de pequenas incumbências.

   O Avô que fizera vezes sem conto esta viagem a cavalo na sua juventude quase me ralhou quando eu lhe contei que deixava o animal às portas da cidade em vez de aproveitar para me pavonear pelas ruas cavalgando a preceito. Esquecia-se que desde o seu tempo de menino e moço até ao meu, passara mais de meio século e então já não era prático nem seguro circular a cavalo na cidade. Estou a falar do início da década de sessenta, altura em que a circulação automóvel ainda não era caótica como hoje. Passear a cavalo no meio da cidade já não era comum, embora ainda houvesse muita carroça e alguns asnos e mulas a circular, mas o que entristecia o meu Avô era o facto de eu não ter nascido com vocação de marialva e de não tirar partido de tão belas oportunidades para dar nas vistas às meninas da cidade.

 

 

quinta-feira, 25 de junho de 2026

quarta-feira, 24 de junho de 2026

Procissão em Árgea 1956

 Com a imagem de Nossa Senhora de Fátima à frente. Em 2º plano a casa de José Antunes Sirgado e Teodora


terça-feira, 23 de junho de 2026

Foto talvez de 1922 - a tradição das abóboras servirem de assento para tirar fotos aos meninos

 Esta foto com os filhos de Virgínia e Manuel Maia e ainda com a filha mais velha de Victória e Cândido, tem os nomes no verso e é dedicada a um tio (neste caso julgo que o tio será o Eng. Francisco Antunes, pois a foto faz parte do seu espólio que está a ser catalogado pelo Eng. João Mourão). A dedicatória é de 1925 mas a foto tem de ser de data anterior



domingo, 21 de junho de 2026

Teodora com dois dos seus genros - Cândido e Manuel Maia

 Foto tirada em 1948. É bem provável que o fotógrafo tenha sido o 3º genro de Teodora, Eng. Francisco Antunes.

Esta foto também faz parte do espólio do Eng. Francisco Antunes




sexta-feira, 19 de junho de 2026

Viagens de Breque até Árgea

 

Parte das minhas férias escolares e da São, nos anos cincoenta, eram regularmente passadas nos Soudos. Aí estávamos entregues aos Avós e também aos tios Manel e Bugia, ainda solteiros.

Nos últimos anos de vida da nossa bisavó Teodora, já ela estava acamada e doente, acompanhámos a Avó Victória algumas vezes nas suas visitas à sua mãe em Árgea. Das viagens de carro, conduzidos por um dos tios, não guardo especiais recordações, para além da poeirada que a viatura levantava nas estradas ainda não alcatroadas.

Guardo sim recordações das vezes que fizemos essa viagem no breque, puxado por uma parelha de cavalos ou de mulas. Foram estas viagens feitas sempre aos Domingos, altura em que o cocheiro Manuel Faria estava disponível do seu trabalho de conduzir galeras. Não consta que tivesse direito a horas extraordinárias (outros tempos…).

Poucos kms separam os Soudos de Árgea, mas a viagem de breque já dava tempo para saborear a paisagem e observar com pormenor o casario e seus aldeões ao atravessarmos a Lamarosa, quase sempre seguidos em correrias pelos “cachopos” da terra. Em vez de me instalar na parte traseira do breque, onde se sentavam a Avó e a São, cobertas e resguardadas pela capota de lona da viatura, eu preferia sentar-me ao lado do cocheiro para apanhar a brisa da tarde, observar os animais no seu trote ligeiro nas partes planas do caminho e no seu penoso passo a vencer as ladeiras, observar também os campos com os seus olivais, vinhedos, hortas com seus poços, searas e figueirais com o seu odor característico, observar também os pequenos ribeiros, quase secos pelo estio, nas baixas, antes de passar à entrada de Pé de Cão e antes de chegar a Árgea. Aí éramos saudados por um grupo de miúdos para quem a chegada do breque era um acontecimento na tarde dos seus pachorrentos domingos.

Manuel M A M Mourão

 

Escrito em 19 de Junho de 2026

 

quarta-feira, 17 de junho de 2026

Casa de Árgea

 Foto de 1961, tirada pelo Eng. Francisco Antunes e que faz parte do seu espólio:

Fachada principal da casa de José Sirgado e de sua esposa Teodora.

Nesta casa nasceram as três filhas deste casal: Virgínia, Victória e Maria

Na fachada está reflectida a sombra da cruz do campanário da igreja.

Em primeiro plano a árvore centenária onde sempre se fixaram os avisos e editais