sábado, 12 de setembro de 2026

O percurso autárquico de Carlos Azevedo Mendes (1935 a 1950)

 "Nova Augusta" nº31   2019 

Este trabalho tem como fonte principal e quase única as actas das reuniões das sucessivas vereações, desde 21 de Agosto de 1935, data da tomada de posse da Comissão Administrativa presidida por Carlos Azevedo Mendes até 10 de Abril de 1950, altura em que termina funções por causa da incompatibilidade do cargo com o exercício da advocacia.

Introdução

São perto de 15 anos de vida autárquica que correspondem também à afirmação e consolidação do “Estado Novo” a nível nacional. Neste processo Carlos Azevedo Mendes teve um papel activo como figura muito próxima de Salazar a quem o ligavam laços de amizade desde o tempo de estudante em Coimbra. O modelo centralizador e autoritário do Chefe do Governo foi em parte replicado por Carlos Azevedo Mendes na autarquia de Torres Novas mas havia um diferença de estilo importante: enquanto Salazar se fechou na redoma do seu gabinete onde só entravam meia dúzia de “escolhidos” e “yes men”(1), Carlos Azevedo Mendes cultivava alguma proximidade  popular e não fugia à confrontação com os seus opositores políticos locais. Até finais de 1945 o papel da restante vereação é secundário, limitando-se a aprovar sistematicamente as propostas do presidente. A intervenção de Carlos Azevedo Mendes na sessão de 9 de Janeiro de 1936 sobre o Recenseamento Eleitoral é paradigmática : “Pelo Presidente foi declarado que fará ele próprio parte da Comissão concelhia organizadora do recenseamento eleitoral não nomeando pois qualquer delegado”. A partir de 1946 com a acumulação de funções de deputado e de presidente da Câmara, Carlos Azevedo Mendes começa a entregar progressivamente a gestão camarária nas mãos do Vice- Presidente, Dr. António Alves Vieira, até que, com a sua demissão em 10 de Abril de 1950, este passa a substituí-lo primeiro interinamente e depois definitivamente.

Na análise de mais de 600 actas das reuniões camarárias do período acima referido, privilegiaremos as intervenções de carácter mais social e político. Deixaremos de fora a contabilidade autárquica, sua politica fiscal, pagamentos (que vinham todos às sessões camarárias), licenciamentos e as redes escolares e viárias da responsabilidade do município. A questão da estrada de Argea para o Entroncamento que aparece logo no início será uma excepção pelo grande cunho político que teve.

 

 

([1]) Curiosamente registam-se duas excepções no comportamento típico de Salazar durante este mandato: uma ida ao Entroncamento com o Ministro das Obras Publicas por causa da questão da Estrada de Árgea e a visita surpresa que fez à Exposição/Feira de Produtos Regionais em Santarém.


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