"Nova Augusta" nº31 2019
Este trabalho tem como fonte principal e quase única as
actas das reuniões das sucessivas vereações, desde 21 de Agosto de 1935, data
da tomada de posse da Comissão Administrativa presidida por Carlos Azevedo
Mendes até 10 de Abril de 1950, altura em que termina funções por causa da
incompatibilidade do cargo com o exercício da advocacia.
Introdução
São perto de 15 anos de vida autárquica que correspondem
também à afirmação e consolidação do “Estado Novo” a nível nacional. Neste
processo Carlos Azevedo Mendes teve um papel activo como figura muito próxima
de Salazar a quem o ligavam laços de amizade desde o tempo de estudante em
Coimbra. O modelo centralizador e autoritário do Chefe do Governo foi em parte
replicado por Carlos Azevedo Mendes na autarquia de Torres Novas mas havia um
diferença de estilo importante: enquanto Salazar se fechou na redoma do seu
gabinete onde só entravam meia dúzia de “escolhidos” e “yes men”(1), Carlos
Azevedo Mendes cultivava alguma proximidade
popular e não fugia à confrontação com os seus opositores políticos
locais. Até finais de 1945 o papel da restante vereação é secundário,
limitando-se a aprovar sistematicamente as propostas do presidente. A
intervenção de Carlos Azevedo Mendes na sessão de 9 de Janeiro de 1936 sobre o
Recenseamento Eleitoral é paradigmática : “Pelo Presidente foi declarado que
fará ele próprio parte da Comissão concelhia organizadora do recenseamento
eleitoral não nomeando pois qualquer delegado”. A partir de 1946 com a
acumulação de funções de deputado e de presidente da Câmara, Carlos Azevedo
Mendes começa a entregar progressivamente a gestão camarária nas mãos do Vice-
Presidente, Dr. António Alves Vieira, até que, com a sua demissão em 10 de
Abril de 1950, este passa a substituí-lo primeiro interinamente e depois
definitivamente.
Na análise de mais de 600 actas das reuniões camarárias do
período acima referido, privilegiaremos as intervenções de carácter mais social
e político. Deixaremos de fora a contabilidade autárquica, sua politica fiscal,
pagamentos (que vinham todos às sessões camarárias), licenciamentos e as redes
escolares e viárias da responsabilidade do município. A questão da estrada de
Argea para o Entroncamento que aparece logo no início será uma excepção pelo
grande cunho político que teve.
([1]) Curiosamente registam-se duas excepções no comportamento típico de Salazar durante este mandato: uma ida ao Entroncamento com o Ministro das Obras Publicas por causa da questão da Estrada de Árgea e a visita surpresa que fez à Exposição/Feira de Produtos Regionais em Santarém.
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