quinta-feira, 19 de março de 2020

Relatório da Direcção de 2019

A aprovar na próxima Assembleia Geral :


O ano de 2019 foi parco em actividades e realizações, o que teve impacto negativo nas receitas de estadias e alugueres da adega. O falecimento do nosso presidente da Assembleia Geral e grande mentor da nossa associação: o “mano velho” Dr. Fernando Azevedo Mendes, não deixou de ter também influência negativa na habitual actividade de nossa Associação. Dado o agravamento do seu estado de saúde, já não celebrou o seu aniversário nos Soudos como era tradição. No entanto ainda se deslocou à sua terra natal no dia 23 de Março para participar num dia de trabalhos associativos. Foi a última vez que o pôde fazer ainda em vida.
No dia 6 de Abril festejou os seus anos com toda a família não nos Soudos, mas na sua residência, onde o primo Padre Carlos Rui presidiu à celebração eucarística.
No dia 5 de Maio foi a vez do “mano velho” João e sua esposa Eduarda festejaram os seus 65 anos de casados com a companhia de toda a família no restaurante gerido pela sua filha Inês em Lisboa.
No dia 16 de Maio faleceu o “mano velho” Fernando, também conhecido por Dr. Moulin, deixando vago o lugar da presidência da nossa Assembleia Geral. Dias depois aconteceu a romagem da família ao cemitério dos Soudos onde foram depositadas as suas cinzas na campa da família Azevedo Mendes.
Durante o mês de Julho voltou a acontecer mais um dia de trabalhos associativos e em Agosto a nossa parceira Voarte realizou nos nossos espaços mais uma residência artística. Devemos aqui referir também o trabalho de limpeza do tanque elevado realizado pela associada Ana Rita Barata, durante a sua estadia nos Soudos.
Em Setembro, no dia 21, aconteceu a realização mais marcante do ano em análise e que consistiu na celebração de três aniversários e no lançamento do livro “Cândido Victória e descendência”. Os três aniversários celebrados foram: o centenário das núpcias dos avós Cândido e Victória, os 95 anos do mano velho João  e os trinta anos da associada Inês Beires, que compareceu, vinda da Suíça onde trabalha. Nessa tarde, depois do almoço festivo com a participação de toda a família, aconteceu o lançamento do livro, com a apresentação do nosso primo historiador Francisco Manuel Azevedo Mendes e com a presença da senhora vereadora da cultura do município de Torres Novas.
No fim de semana de 26 e 27 de Outubro realizou-se a última sessão de trabalhos associativos onde foi possível terminar a limpeza duma das cisternas e colocá-la em condições de poder receber as águas da chuva.
Para terminar, referimos a realização da nossa habitual Assembleia Geral, no dia 14 de Dezembro, onde foram aprovadas as contas de 2018 e o Orçamento e Plano de Actividades para 2020.
Passando agora à análise das contas podemos referir que, pelos motivos acima referenciados se registou uma grande quebra nas receitas tanto nas provenientes da utilização da Casa Mãe, como nas do aluguer das adegas: as primeiras passaram de 2969 euros em 2018 para 1442 no ano em análise; as segundas passaram de 2249 euros para 280. Pela positiva podemos referir um grande incremento da cobrança de quotizações que passaram de 1151 euros em 2018 para 3312 em 2019.
Quanto à iniciativa editorial do livro “Cândido Victória e descendência”, as vendas no lançamento e até ao final do ano em análise superaram, ainda que marginalmente, os custos da edição. Assim as vendas que se fizerem posteriormente poderão contribuir com algum lucro para a Associação.  Devemos no entanto referir que só foi possível vender este livro ao preço de 10 euros porque todos os trabalhos de autoria, coordenação da edição, capa, arranjos gráficos e paginação foram oferecidos. As receitas extraordinárias no valor de 1062,50 euros correspondem à venda dos livros e as despesas com acções especiais no valor de 1008,60 euros correspondem aos custos tipográficos do mesmo.
Com o aumento substancial da cobrança de quotizações e apesar da grande quebra nas receitas de estadias e alugueres foi possível superar as receitas do ano anterior e atingir os 7896,50 euros.
Quanto às despesas, não se tendo realizado obras significativas de investimento, as mesmas foram reduzidas tanto na manutenção das adegas como na manutenção da Casa Mãe, no entanto as despesas com a manutenção exterior no páteo, jardins e telheiros excederam as do ano anterior. Nestas despesas estão incluídas as do material comprado pelo associado João Palma para instalar um sistema de rega no pomar e melhorar a distribuição de água a partir do poço, uma acção especial de limpeza de terrenos e ainda os custos mensais de alimentação do cão, limpezas e regas pagos à Isabel e também os pagos ao Sr. Fernando pela manutenção do páteo e jardim. Neste último caso foram pagos 720 euros correspondentes às prestações de Janeiro a Agosto, tendo posteriormente a Direcção rescindido o acordo que tinha com este senhor . Quanto às despesas correntes de água, electricidade e gás, nada de especial a referir.
Somando o total de despesas de 2019 -    5.462,75 euros, foi possível terminar o ano com um saldo positivo de 2.433.75.
A Direcção propõe que este saldo seja levado à conta de Capital e Reservas. Se tal for aprovado, a mesma passará de 3.925,81 euros para 6.359,56 euros.

terça-feira, 17 de março de 2020

Separata do Almonda dedicada aos Soudos

Inserida no jornal nº 396 de 26 de Fevereiro de 1927
Anúncios comerciais de estabelecimentos dos Soudos saídos nessa separata:

Jacinto Mendes Pascoa - com estabelecimento de mercearia, vinhos, aguardentes e salsicharia

Manuel Nunes Garcez  - com estabelecimento de mercearias, fazendas, muidezas e artigos para                                                    sapateiros.

Luiz José da Silva         - Latoeiro em todos os metais.
                                         Executa e concerta com a máxima rapidez e perfeição todos os trabalhos
                                         em latão, cobre, alumínio, zinco, ferro e folha de flandres.

Constantino Paixão     -  Vinhos, aguardentes e azeites. Vende e Compra à comissão.

Manuel Gonçalves      - Farinhas, sêmeas, mercearias, fazendas de algodão, vinhos, aguardentes,                                              louças, vidros e muitos outros artigos

                                 

sábado, 15 de fevereiro de 2020

colocação de soalho flutuante

Ontem o Tó, o António Barata e sua neta Mariana colocaram um soalho flutuante no quarto da varanda.  Ficou ainda o rodapé por colocar, para terminar a obra:




quarta-feira, 12 de fevereiro de 2020

os três filhos mais velhos de Cândido e Victória

Na Cruz Alta do Buçaco nos finais dos anos trinta do século passado
Maria Teresa , José Cândido e Maria Cândida


terça-feira, 11 de fevereiro de 2020

De Brotero à Brotéria - história de uma homenagem centenária

De Brotero à Brotéria: A história de uma homenagem centenária

  
Brotéria, 2020
Francisco Malta Romeiras

terça-feira, 4 de fevereiro de 2020

Biografia do Dr. Augusto Azevedo Mendes

Que faz parte da notícia saída no Jornal "Novidades" no dia 21 de Março de 1969, sobre o seu falecimento no dia anterior:



Nasceu o dr. Augusto Mendes em 27 de Maio de 1891, na freguesia do Paço, Concelho de Torres Novas. De 1903 a 1910 fez o curso dos liceus no Colégio de S. Fiel, em Castelo Branco. Em 1910 matriculou-se na Universidade de Coimbra, onde se formou em Medicina, em 1916, com 16 valores. Participou em 1917 na Primeira Grande Guerra Mundial. De 1918 a 1927 foi oficial médico na Escola Prática de Cavalaria e director do Hospital Militar , em Torres Novas. De 1922 a 1926 foi director de “O Almonda”, de que foi um dos principais organizadores. Em 1923 começou a trabalhar no Hospital da Misericórdia de Torres Novas, onde organizou os serviços médicos e cirúrgicos, a sala de Raios X e agentes físicos, etc.
Em 1932 foi nomeado médico municipal; em 1945, subdelegado de Saúde e médico da Caixa Textil. Foi ainda médico do Colégio de Santa Maria e da M.P.
Fundou o Colégio Andrade Corvo e muito concorreu para a fundação do Colégio de Santa Maria e para a construção das suas actuais instalações. Activo cooperador da acção dos Párocos da vila, contribuiu especialmente para a construção do Salão do Salvador e para as instalações da Acção Católica. Membro das Conferências de S. Vicente de Paulo, dedicou-se edificantemente à Obra de Assistência aos Presos.
Era membro da Associação dos Médicos Católicos. Foi presidente da Liga dos Combatentes da Grande Guerra. Trabalhou na Cruz Vermelha Portuguesa e noutras instituições de carácter social.
Participou em diversos congressos médicos e de apostolado, como no Congresso dos Médicos Católicos, no Congresso Luso-Espanhol de Cardiologia (1956), 1ª Conferência Mundial católica da Saúde (de 28 de Julho a 2 de Agosto de 1958). Interessou-se pela acção social na cura dos alcoólicos. Em 1925 fez, em Fátima, uma conferência numa reunião de médicos, sobre a enfermagem religiosa e a necessidade da sua preparação técnica. As conclusões do seu trabalho foram enviadas ao Episcopado e às superioras das Ordens Religiosas. Da sua iniciativa nasceu a primeira escola de enfermagem , no Porto, das irmãs Franciscanas.
Em 1928, obteve o primeiro prémio da melhor reportagem regionalista, instituído pela Emissora Nacional. Publicou os livros: “Virilidade”, “Origem e higiene do mal”. “O valor moral da pessoa humana”. Em 1954 recebeu as insígnias de Cavaleiro da Ordem de Benemerência.
Ao fazer 75 anos, em Maio de 1966, resolveram alguns dos seus antigos alunos prestar-lhe justa homenagem nas colunas do semanário “O Almonda”. Ali encontramos expressivos testemunhos dos Srs. Arnaldo Souto Pires, Oscar Bento, Padre José Maria de Freitas, Joaquim Bicho, João Pedro Clara, Oliveira Guerra, etc.
Como escreveu o Padre José de Freitas, “a vida é o desenrolar de um sonho que se teve na juventude”. Muitas e muitas vezes foi repetida esta frase pelo dr. Augusto Mendes nas suas aulas… certamente porque no colégio que frequentou e na Universidade de Coimbra, onde se formou, traçou um ideal alto que procurou realizar durante a vida toda.
Temperado na luta de ideias do ambiente que então se vivia e na guerra a que foi chamado, fortaleceu a sua alma nos ideais dos Espírito. E se é verdade o que alguém afirmou “ a juventude não é uma idade física, mas um estado de espírito”, ele conseguiu manter um espírito jovem, que fazia inveja a muitos rapazes de então.
Lutador incansável, apaixonado pelos problemas de educação, tornou-se credor de dívidas inalienáveis de muitos que hoje sentem que foi o ideal traçado na juventude que norteou suas vidas.
                                                                              *
Colaborou o dr. Augusto Mendes no “Correio de Coimbra”, em “A Voz”, na revista “Estudos” e nas “Novidades”. Amigo de todas as horas do diário católico, não perdia tempo em contestá-lo, antes estimulava constantemente a sua acção e nunca faltava com palavras de aplauso ou de conforto ao sacrifício dos que nele trabalham. É que o dr. Augusto Mendes era um homem de fé, que se orgulhava de lutar pela Igreja desde os tempos do C.A.D.C. de Coimbra, como sempre lutara pela Pátria e pelas suas grandes causas.
Um dia , perguntou-lhe um jornalista:
- De todas as obras a que deitou ombros, qual a que mais o apaixonou? E qual lhe deu maiores alegrias?
Resposta de Augusto Mendes:
- A obra que mais me apaixonou e me deu e dá maiores alegrias, é aquela a que mais me dediquei: criar e educar os meus seis filhos; dar à família o maior espírito de unidade; melhorar a casa que em boa hora comprei ao regressar de França.
Talvez não esperasse esta resposta, mas a luta travada neste tríplice aspecto faz-me olhar para o passado, para o presente e para o futuro e sentir a mais viva emoção de íntimo prazer.