sábado, 12 de setembro de 2026
segunda-feira, 7 de setembro de 2026
O percurso político de Carlos Azevedo Mendes como procurador à Câmara Corporativa (1935-1938) e deputado à Assembleia Nacional (1945-1957)
publica-se a introdução deste artigo, saído na Revista Nova Augusta nº28 do ano de 2016:
INTRODUÇÃO
O presente artigo pretende abordar a
actividade política de Carlos Azevedo Mendes na Câmara Corporativa e na
Assembleia Nacional entre as décadas de trinta e cinquenta do século passado[1]. Na Câmara Corporativa, foi
procurador em representação das misericórdias, tendo sido escolhido em
Assembleia Geral, realizada em Coimbra em 1934. Cumpriu o mandato de três anos
entre 1935 e 1938, na primeira legislatura desta Câmara, integrado na secção de
“Interesses Espirituais e Morais”. Na Assembleia Nacional, foi eleito pelo
círculo de Santarém para as IV, V e VI legislaturas, entre 1945 e 1957, tendo
exercido o mandato de deputado em acumulação com a presidência da Câmara de
Torres Novas entre 1945 e 1950.
A sua presença nas duas câmaras constitui
uma continuação do seu envolvimento político desde o tempo da sua vida
estudantil, num aggiornamento
ideológico ligado à acção católica. Neste contexto importa fixar algumas
coordenadas: presidente do Centro Académico de Democracia Cristã (Coimbra, 1910-1911,
no último ano da sua licenciatura em direito); procurador à Junta Distrital de
Santarém (1917-1926); secretário-geral do Segundo Congresso do Centro Católico
Português (1922, sendo António de Oliveira Salazar um dos outros secretários);
candidato a senador pelo Centro Católico pelo círculo de Santarém (1925)[2].
Enquanto a eleição para procurador da
Câmara Corporativa em 1935 parece resultar dum processo genuíno em que Carlos
Azevedo Mendes é indigitado a partir de uma Assembleia Geral a nível nacional
das misericórdias[3],
já 10 anos depois a eleição para deputado resulta duma nomeação política ditada
pela confiança pessoal que Salazar deveria ter no seu antigo colega e
companheiro de luta no Centro Académico de Democracia Cristã de Coimbra[4]. As listas para deputados
para a Assembleia Nacional eram objecto de especial atenção do chefe do governo
e para as quais pedia ou aceitava a colaboração de algumas figuras políticas
que lhe estavam mais próximas[5]. Depois, os nomes
escolhidos tinham a eleição garantida pela mão do partido único – a União Nacional[6].
[1]
No âmbito da preparação deste
artigo, cumpre-me agradecer à Drª. Manuela Poitout, ao Dr. Rui Costa
(Bibliotecário da Assembleia da República) e ao Doutor Nuno Estevão Ferreira
(Centro de Estudos de História Religiosa, Universidade Católica Portuguesa)
todo o apoio prestado no domínio das suas especialidades.
[2] Sobre a
actividade política de Carlos Azevedo Mendes, veja-se Manuela Poitout, «Carlos
de Azevedo Mendes: religião e poder em Torres Novas na primeira metade do
século XX», Revista Nova Augusta, nº
24 (2012): 22-30; Marta Carvalho dos Santos, «Mendes, Carlos de Azevedo
(1888-1962)», em Dicionário biográfico
parlamentar (1935-1974). Vol. II (M-Z), dir. Manuel Braga da Cruz e António
Costa Pinto, com a colaboração de Nuno Estevão Ferreira (Lisboa: ICS,
Assembleia da República, 2005), 119-120; Rita Almeida Carvalho, A Assembleia Nacional no Pós-Guerra
(1945-1949) (Lisboa: Ed. Assembleia da República, 2002), 246. Veja-se,
também, Joaquim Rodrigues Bicho, Torrejanos
de vulto (Torres Novas: Edição dos Serviços Culturais da Câmara Municipal
de Torres Novas, 1999), 47-50; Victor Manuel Lucas Rosa, Soudos Memórias do passado e depoimentos do presente (Torres Novas:
Edição da Câmara Municipal de Torres Novas, 2003), 85-88.
[3] As atas da
eleição podem ser consultadas no arquivo histórico da Misericórdia de Coimbra.
A eleição do representante das misericórdias para a 1ª Legislatura da Câmara
Corporativa (1935-1938) foi um processo muito participado. Pela importância,
tradição e centralidade geográfica, terá sido a Misericórdia de Coimbra a
escolhida para organizar a assembleia eleitoral e o seu provedor encarregue de
receber as credenciais de todas as instituições e preparar os cadernos
eleitorais. O acto realizou-se no dia 6 de Dezembro de 1934 com a presença ou
representação de 108 Misericórdias (só faltaram a esta eleição 5). Não
encontrei o caderno eleitoral desta primeira eleição mas é possível fazer o
levantamento das representações para este acto - encontram-se arquivadas numa
pasta do arquivo da Misericórdia de Coimbra, mas misturadas com as
representações para a segunda eleição em 1938, onde consta o respectivo caderno
eleitoral. O resultado do escrutínio eleitoral deu como mais votado o provedor
da Misericórdia de Torres Novas, Dr. Carlos Azevedo Mendes com 64 votos – cf.
Arquivo da Misericórdia de Coimbra, Livro das Actas das Eleições dos Provedores
Procuradores na Câmara Corporativa e Outras, 1ª acta, fl. 2. Refira-se que na
segunda eleição, em 20 de Novembro de 1938, Carlos Azevedo Mendes além de
representar por direito próprio a Misericórdia de Torres Novas, representava
também mais outras 11, a saber: Aljubarrota, Campo Maior, Ericeira, Fão,
Funchal, Miranda do Douro, Paredes de Coura, Ponta Delgada, Salvaterra do Extremo,
Valença e Vila do Porto. Esta segunda assembleia terá sido bastante conturbada
e com vários votos de protesto. Carlos Azevedo Mendes foi o terceiro provedor
mais votado.
[4] Em Fevereiro de
1911, sob a presidência de Carlos Azevedo Mendes, a sede do CADC é incendiada
por elementos das hostes republicanas que não viam com bons olhos os chamados
reaccionários da altura (ou "A Católica" como apelidavam os
militantes do CADC). A actividade do CADC foi retomada no ano lectivo
seguinte sob o impulso, entre outros, de Oliveira Salazar e Gonçalves
Cerejeira. Contextualizando o CADC na acção católica, veja-se Joana Brites,
«Construir a história. A sede do CADC em Coimbra», Lusitania Sacra, 2ª série, 19-20 (2007-2008), 121-169; J. M.
Tavares Castilho, Os Procuradores da
Câmara Corporativa (1935-1974) (Lisboa: Texto Editores, 2010), 29-31, António
Araújo, Os sons dos sinos. Estado e
igreja no advento do salazarismo (Coimbra: Tenacitas, 2010).
[5] Cf. Carvalho, A Assembleia Nacional no Pós-Guerra, 83-85; J. M. Tavares Castilho, Os Deputados da Assembleia Nacional
1935-1974 (Lisboa: Ed. Assembleia da República e Texto Editores, 2009),
231-232.
[6]
Pelo prisma das oposições,
veja-se a falta de democraticidade do processo eleitoral no Estado Novo, em
Mário Matos Lemos, Oposição e eleições no
Estado Novo / coordenação, introdução e conclusão de Luís Reis Torgal
(Lisboa: Assembleia da República, 2012).
domingo, 6 de setembro de 2026
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Tenciono publicar durante a semana as introduções aos quatro artigos da minha autoria publicados na revista "Nova Augusta".
Quem estiver interessado em ler algum ou alguns dos artigos na íntegra, poderão solicitá-los no espaço reservado a comentários.
Os quatro artigos, como já informei anteriormente, têm os seguintes títulos:
"O percurso político de Carlos Azevedo Mendes"
"Carlos Azevedo Mendes e os Congressos das Misericórdias"
"O percurso autárquico de Carlos Azevedo Mendes"
" O Almonda pela escrita e orientações de Alberto Dinis da Fonseca, Carlos Azevedo Mendes e Augusto Azevedo Mendes"
sábado, 5 de setembro de 2026
Cândido, Carlos e Augusto
No próximo número da revista Nova Augusta, a publicar no
final do corrente ano, sairá a segunda parte do artigo “Azevedo Mendes, uma
Família Torrejana” dedicada aos três irmãos mais novos da 1ª geração “Azevedo
Mendes” – Cândido, Carlos e Augusto.
Apresentam-se agora fotos dos três manos, na adolescência,
na idade adulta e na velhice:
quarta-feira, 2 de setembro de 2026
Maria Joana (nova foto)
Na sequência da foto publicada em 20 de Junho, publico nova foto da Maria Joana.
Estas são as duas únicas fotos que conheço da Maria Joana.
Agradeço a quem possa ter mais alguma foto onde ela apareça, que indique no espaço para comentários.
domingo, 30 de agosto de 2026
PAGELA COMEMORATIVA
Encontro de colegas de turma no Colégio S. João de Brito.
Assinada no verso pelos participantes, dentre os quais os três futuros cunhados:
Nuno Mourão, José Azevedo Mendes e Nuno Vaz Pinto
A esclarecer se o encontro foi em Lisboa ou em Santo Tirso e ainda a data exacta: 5-12-4? (40, 41 ou 42)



